Sexta-Feira, 21 de Janeiro de 2022
No cine debate do Sindema, a homenagem a Carlos Marighella e Cloves de Castro

No mês em que se celebra a Consciência Negra, o Sindicato dos Funcionários Públicos de Diadema realizou um cine debate sobre o filme Marighella, do diretor Wagner Moura, e reuniu servidoras e servidores públicos de Diadema, além de sindicalistas e lideranças dos movimentos sociais em uma atividade que ficou marcada por homenagens. Na noite desta sexta-feira (26), a garagem do sindicato deu lugar a uma sala de cinema. Cerca de 40 pessoas participaram de uma sessão do filme sobre o ex-guerrilheiro e líder revolucionário Carlos Marighella.

A atividade contou com as participações de Jandyra Uehara, da Executiva nacional da Central Única dos Trabalhadores; Mislene Pereira, professora da rede municipal de Diadema e da capital paulista; e Marcelo Buzetto, coordenador estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. A apresentação do filme e a roda de conversa que aconteceu em seguida se transformaram num ato de resistência contra o governo de Jair Bolsonaro e uma homenagem aos comandantes revolucionários Carlos Marighella e Cloves de Castro, ex-militantes da Ação Libertadora Nacional.

Marcelo Buzetto iniciou o debate e declarou que falar sobre Carlos Marighella no mês da Consciência Negra é uma honra. E afirmou que “este negro, comunista, revolucionário é uma das figuras mais importantes da história da esquerda brasileira”. Em seguida, Buzetto comentou um pouco sobre a trajetória de Marighella e da ALN.

De acordo com ele, “a ALN foi um dos maiores movimentos de massa que já existiram na história do Brasil. Teve pouco tempo de existência, infelizmente não teve tempo para se desenvolver, mas foi uma frente única antifascista, que reunia comunistas, trotskistas, anarquistas, socialistas, progressistas, civis e militares que lutavam contra o governo de Getúlio Vargas, contra a ditadura Vargas, contra o fascismo, contra o imperialismo, por reforma agrária e por democracia.

Jandyra Uehara fez uma abordagem sobre o período em que Marighella foi parlamentar e comentou sobre a estratégia política adotada pelo Partido Comunista à época e falou do processo de transição para o período pós-ditadura. Segundo Jandyra, “é fundamental a gente resgatar todo esse contexto histórico”.

Para Jandyra: “o exemplo de Marighella é o exemplo de quem olha para o futuro de uma outra forma, de quem tem a coragem de, num determinado momento histórico onde não havia outra alternativa, enxergar a utopia e persegui-la dando a sua vida por isso”. “A experiência da luta armada pode não ter sido determinante no processo da queda da ditadura civil-miltar, mas ela foi muito importante depois”, falou.

“Quero inclusive lembrar, aqui tem muita gente que militou junto com ele, do companheiro Cloves de Castro. Cloves foi um operário, negro, com quem tivemos a honra e o privilégio de militar com ele no Partido dos Trabalhadores e na tendência Articulação de Esquerda, que foi companheiro do Marighella na ALN”, disse. Jandyra lembrou que Cloves foi preso pela ditadura militar em 1969 e ficou detido até 1971. “Depois que ele saiu continuou construindo a resistência na militância política”, comentou.

Por fim, Jandyra lembrou do falecimento do companheiro Cloves. “Faz um ano que ele morreu, aos 83 anos. Um ano que perdemos o nosso comandante Cloves de Castro, com quem a gente pôde compartilhar muito da experiência da vida. Eu imagino o Marighella em muitos aspectos parecidos com o Cloves. Na humildade e nas relações que ele tinha. Então, o nosso comandante Cloves e Marighella foram dois homens negros que muito honraram e nós agora temos que honrar a história deles”, concluiu.

A professora Mislene Pereira distribuiu poesias escritas por Carlos Marighella, falou da força de suas palavras e de seus textos, de como Marighella soube expressar o momento em que o país vivia sob o regime civil-militar, e declarou que “a luta pela igualdade racial não para e não começou agora”. “Ela vem desde Tereza de Benguela, república de Zumbi, e vários outros movimentos da negritude. É uma luta que começou desde que o colonialismo passou a fazer parte da história deste mundo. E a partir daí as ideias ocidentais centradas na Europa tomaram a gente como se fosse a única ideia hegemônica”, comentou.


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